O primeiro segundo da existência do universo não foi apenas agitado; foi o período mais crítico de toda a história cósmica. Partindo de um estado infinitamente pequeno e infinitamente denso – um cenário apoiado pelos modelos cosmológicos atuais – o universo expandiu-se rapidamente, estabelecendo as bases para tudo o que observamos hoje.
A Época Inflacionária
Numa fração de segundo, o universo sofreu uma inflação exponencial. As distâncias entre pontos no espaço dobravam aproximadamente a cada 1037 segundos, aumentando o tamanho do cosmos em pelo menos um fator de 1026 – mais do que o número total de estrelas no universo observável. Essa expansão não se tratava apenas de tamanho; ela semeou a estrutura em grande escala que vemos hoje. Flutuações quânticas minúsculas, aleatoriedade inerente ao universo primitivo, esticadas e amplificadas em variações de densidade através do espaço-tempo. Essas flutuações acabariam por se tornar as sementes de galáxias e aglomerados.
Do Plasma às Partículas
O período inflacionário terminou após uma pequena fração de segundo, deixando para trás uma bola de plasma quente e opaca. À medida que o universo esfriava, surgiram as primeiras partículas: prótons e nêutrons, os blocos de construção da matéria. Isto marcou a bariogênese, o momento em que a matéria começou a dominar a antimatéria (embora a razão exata para este desequilíbrio permaneça desconhecida). Matéria e antimatéria colidiram, aniquilando-se, deixando para trás a matéria que constitui tudo o que vemos hoje.
Transições de fase e separação de forças
O universo não apenas se expandiu; passou por transições de fase, mudanças fundamentais no estado da matéria que afetaram todo o cosmos simultaneamente. As quatro forças – gravidade, força forte, força fraca e eletromagnetismo – foram inicialmente unificadas. No primeiro bilionésimo de segundo, eles se separaram, assumindo as propriedades distintas que observamos hoje. A radiação começou a fluir livremente à medida que o universo se tornou transparente e as partículas ganharam massa através da interação com o campo de Higgs recém-separado.
A Gênese da Estrutura
Um segundo após o big bang, o universo ainda estava incrivelmente quente e denso, mas as forças e partículas fundamentais estavam no lugar. Essas flutuações quânticas iniciais continuaram a impulsionar a aglomeração, preparando o terreno para a eventual formação de estrelas, galáxias e a estrutura em grande escala que observamos hoje. Todo o processo – da singularidade às fundações de um universo reconhecível – levou apenas um segundo.
Os detalhes exatos permanecem confusos devido à vasta escala de tempo entre aquela época e agora, mas as implicações são claras: o primeiro segundo do universo não foi apenas um evento; foi a origem de tudo o que se seguiu. A rápida expansão do universo, a formação de partículas e a separação de forças lançaram as bases para o cosmos complexo que habitamos hoje, tudo num único e fugaz momento.





















