Os entomologistas montaram um arquivo digital sem precedentes de formigas usando tecnologia de ponta de raios X e inteligência artificial. O projeto, batizado de Antscan, abrange mais de 790 espécies e 212 gêneros, representando um salto significativo na forma como estudamos e entendemos a vida dos insetos.
Digitalização de alta velocidade e reconstrução 3D
Pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa (OIST) colaboraram com especialistas de todo o mundo para coletar espécimes de formigas preservadas em etanol. Estes foram então submetidos a micro-tomografia computadorizada de raios X de alto rendimento no Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT), na Alemanha. Esse processo, semelhante às tomografias computadorizadas médicas, mas com ampliação muito maior, permitiu a obtenção rápida de imagens de milhares de amostras.
Um acelerador de partículas síncrotron gerou um intenso feixe de raios X que escaneou cada amostra em apenas 30 segundos, graças à robótica automatizada. O resultado é uma coleção de pilhas de imagens 2D que foram então montadas em modelos 3D detalhados. Esses modelos revelam estruturas internas, como músculos, sistemas digestivos e até ferrões, com precisão micrométrica.
De poses contorcidas a modelos realistas
As varreduras iniciais produziram imagens de espécimes em posições não naturais. No entanto, a equipe utilizou IA para reconstruir essas imagens em representações realistas e realistas. Isso torna os modelos ideais para pesquisa, educação e até mesmo integração em ambientes de realidade virtual.
Por que isso é importante: o futuro da pesquisa em biodiversidade
A escala deste projeto teria sido impossível sem automação avançada. De acordo com o Dr. Julian Katzke, o mesmo trabalho teria levado seis anos com tomógrafos convencionais baseados em laboratório. A equipe concluiu a digitalização de 2.000 amostras em apenas uma semana.
“Fazer isso manualmente levaria anos, portanto, sem essas ferramentas computacionais, basicamente nunca teria sido feito”, afirmou o professor Evan Economo do OIST e da Universidade de Maryland.
Antscan não trata apenas de formigas; é uma prova de conceito para digitalizar ramos inteiros da biodiversidade. A capacidade de criar bibliotecas digitais prontamente acessíveis abre novas possibilidades para estudos científicos, divulgação educacional e até mesmo aplicações de entretenimento.
A pesquisa foi publicada na revista Nature Methods em 5 de março de 2026 (DOI: 10.1038/s41592-026-03005-0). Este projeto demonstra o poder de combinar imagens avançadas, robótica e IA para acelerar a pesquisa biológica e tornar dados detalhados acessíveis a um público mais amplo.





















