O Universo acabou de colocar a carroça na frente dos bois

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Os astrônomos têm um problema.
Realmente grande e existencial.
O que veio primeiro.
A galáxia ou o buraco negro monstruoso destruindo seu centro?

Durante anos, pareceu um palpite. Um mistério cósmico do ovo e da galinha que ninguém queria tocar.
Até agora.

Um olhar direto para o buraco “nu”

O Telescópio Espacial James Webb encontrou esses objetos estranhos chamados “pequenos pontos vermelhos” no universo primitivo. Eles são vermelhos. Eles são pequenos na tela, mas enormes na realidade. E todos discutem sobre o que realmente são.
Alguns dizem que há buracos negros em crescimento. Outros dizem que ilusões de ótica, talvez apenas massas superestimadas, talvez nada.

É divisivo.

Mas uma nova equipe parou de adivinhar.
Eles mediram Abell2744-QQSO1 diretamente.
Chega de proxies baseados em estimativas de brilho. Desta vez, eles observaram como o gás brilhante se move.
O resultado? As estimativas assustadoras anteriores estavam certas.
O QSO1 esconde um buraco negro 50 milhões de vezes mais pesado que o nosso Sol.
Então os dados ficaram estranhos.
Na verdade, ficou impossível.
Normalmente as galáxias e os seus buracos negros crescem em conjunto. Grande galáxia. Grande buraco negro. Proporcional.
QSO1 não tem nenhuma galáxia digna de nota.
Não tem quase nada.
Apenas o buraco.
E talvez algumas estrelas confusas orbitando com medo.
O buraco negro supera todas as outras estrelas daquela vizinhança combinadas.
Está nu.

“Isso… torna o QSO1 o [buraco negro] massivo mais ‘nu’ já encontrado.”

Mapeando bem a gravidade

Aqui está o truque.
Você não pode ver o buraco negro em si. A luz não escapa disso.
Então você observa o que está próximo a ele.
A equipe mapeou o movimento do gás próximo ao centro.
A física simples se aplica aqui. A forte gravidade faz com que as coisas se movam mais rápido.
O gás em torno do QSO1 está se movendo a velocidades vertiginosas.
Ele gira exatamente como os físicos esperam em torno de algo incrivelmente compacto e pesado.

Os pesquisadores tentaram outras desculpas.
E se não fosse um buraco negro? E se fosse um pacote compacto de estrelas normais?
Eles fizeram as contas.
Os números não ligaram para a ideia.
Para que tanta gravidade viesse das estrelas em vez de um buraco, essas estrelas teriam que se amontoar em um espaço impossivelmente pequeno.
Mais denso do que qualquer aglomerado que conhecemos.
Então essa teoria morreu rápido.

O contexto é importante.
O buraco negro da Via Láctea (Sagitário A*) pesa 4 milhões de massas solares. Bonito comparado a isso.
A galáxia Messier 87 contém 6,5 bilhões.
QSO1 está em 50 milhões.
E lembre-se.
O QSO1 existiu 700 milhões de anos após o Big Bang.
Essa é apenas a manhã dos tempos.

Mudanças de paradigma

Por que está “nu”?
Porque fica em um espaço vazio e primitivo.
Não há nenhuma grande cidade de estrelas ao seu redor. Apenas um vácuo esperando para ser preenchido.
Ou talvez já tenha decidido que não precisava de uma cidade.

Os cientistas costumavam pensar que as galáxias cresciam primeiro e depois alimentavam os buracos negros lentamente ao longo de eras.
Esse modelo está quebrando.
QSO1 sugere “primazia do buraco negro”.
O buraco negro se forma. Fica gordo. Então a galáxia pode aparecer mais tarde.

Roberto Maiolino, de Cambridge, chama isso de “revisitação total dos cenários clássicos”.
Isso é linguagem científica para “estávamos errados sobre tudo”.
Como você faz um buraco de 50 milhões de massa solar em um piscar de olhos cósmico?
Talvez uma enorme nuvem de gás tenha entrado em colapso.
Talvez a semente tenha sido plantada no primeiro segundo de existência.

Nós não sabemos.
O que está claro é que o universo primitivo tinha maneiras de se tornar enorme que nunca previmos.
Algumas coisas começam grandes.
Algumas coisas ignoram totalmente as rodinhas.

O que acontece quando o buraco negro nu finalmente acorda?

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