Ele estava procurando proteína. Esse era o objetivo em 1869. Friedrich Miescher, um jovem pesquisador suíço da Universidade de Tübingen, tentava isolar os blocos constituintes das células. Ele não tinha as ferramentas modernas que usamos hoje. Sem sequenciadores. Não há microscópios capazes de ver a dupla hélice. Ele tinha pus. Especificamente, pus de bandagens cirúrgicas, rico em glóbulos brancos. Não foi glamoroso. Foi nojento. Mas era onde morava o núcleo.
Ao tratar essas células com soluções alcalinas, ele esperava encontrar as proteínas que estava caçando. Em vez disso, ele encontrou outra coisa. Uma substância que se agarrou ao núcleo. Era rico em fósforo. Era rico em nitrogênio. Não se comportou como as proteínas da época. Miescher chamou isso de nucleína. Ele tropeçou no que hoje conhecemos como ácido desoxirribonucléico ou DNA.
Como Friedrich Miescher descobriu os ácidos nucléicos
A descoberta não foi um momento relâmpago. Foi um desenrolar lento e metódico. Miescher estava trabalhando com Ernst Hoppe-Seyler, um proeminente fisiologista. A equipe estava interessada no metabolismo celular. Eles queriam entender como as células queimam energia e constroem estrutura.
Miescher isolou o núcleo dos glóbulos brancos. Ele extraiu a substância de dentro. Ele testou. Continha fósforo. As proteínas normalmente contêm nitrogênio, enxofre e carbono. Eles geralmente não contêm fósforo em concentrações tão altas. Isto foi uma anomalia. Um outlier químico.
Em 1874, Miescher refinou sua técnica. Ele separou a nucleína em seus componentes: uma parte proteica e uma parte ácida. O componente ácido foi a nova descoberta. Ficou conhecido como ácido nucleico. Só muito mais tarde, no século XX, é que os cientistas compreenderiam o seu papel na hereditariedade. Miescher não via o futuro. Ele viu um produto químico estranho. Mas esse produto químico continha o código da vida.
Por que seu trabalho é importante para a ciência moderna
A maioria das pessoas pensa na descoberta do DNA como um evento de meados do século XX. Watson e Crick. Rosalind Franklin. Década de 1950. Essa narrativa ignora as bases estabelecidas décadas antes. O isolamento do ácido nucleico por Miescher foi o primeiro passo. Sem essa identificação inicial, os avanços estruturais posteriores não teriam tido assunto.
Ele não encontrou apenas uma substância. Ele provou que existia no núcleo. Ele mostrou que era diferente da proteína. Numa época em que se acreditava que a proteína era o portador da informação genética, esta foi uma revolução silenciosa. Ele forneceu a evidência material de que a genética tinha uma base física.
De Basileia ao Primeiro Instituto Fisiológico
Após seu trabalho em Tübingen, Miescher retornou à sua cidade natal, Basileia. Ele se tornou professor. Ele não parou no DNA. Ele procurou ácido nucleico em outros tecidos. Ele encontrou isso no esperma do salmão. Ali era abundante. A alta concentração facilitou o estudo. Isto confirmou que o ácido nucleico não era um acaso dos glóbulos brancos. Foi generalizado.
Ele também trabalhou com protamina. Uma proteína frequentemente encontrada ligada a ácidos nucléicos no esperma. O relacionamento

















